So how can anybody say, They know how I feel

 

Comecemos pelo início. Por definição gosto deste tipo de filmes. Gostei imenso do “Munich” e do “The Baader Meinhof Complex” (cuja temática tem bastantes ligações ao “Carlos”). Gosto do contexto histórico. O clima da “Guerra Fria”, o posicionamento dos Blocos, os pequenos países a funcionarem como peões e todo o “barril de pólvora” que era (e ainda é) o Médio Oriente. Outra motivação foi lembrar-me perfeitamente de ver a notícia da sua detenção na tv. Acompanhada da mítica foto que um dia serviu para capa de um CD de uma banda pop.

O “Carlos” do Olivier Assayas consegue dar um “cheirinho” do que era o equilíbrio de forças nessa altura.

A meu ver, e já que a ideia pareceu-me ser a de fazer um filme biográfico do terrorista “Carlos o Chacal”, peca por ignorar o que levou Carlos à presença do Dr. Wadie Haddad ( o homem forte da PFLP) de forma a participar em acções revolucionárias contra os imperialistas e o sionismo.

Porventura (e falando puramente de aspectos que se relacionam com a minha curiosidade histórica) seria interessante perceber as origens de “Carlos”, a influência dos ideais do pai (um venezuelano comunista convicto que o baptizou de Ilich em jeito de homenagem a Lenin) e todo o seu trajecto que o levou à Universidade em Moscovo. Historicamente seria um desafio mais interessante (na onda dos “The Motorcycle Diaries” que conta o “início” de Che Guevara).

Avançando para o filme em si, “Carlos” transmite realmente a imagem de um terrorista pop-star, um pouco cheio de si mesmo, com uma forte componente idealista mas que aos poucos vai sendo posta em causa por factores mais materiais (vulgo dinheiro). Transmite também uma ideia fiel do mundo da real-politik com todos os seus esquemas, jogos diplomáticos e hipocrisias.

O filme desfila a uma velocidade estonteante (esqueçam tempos mortos) pela Europa, por atentados, pelo Sudão, por campos de treino, por Bagdad, pelos revolucionários esquerdistas alemães, pelos interesses petrolíferos, pelo poder dos Sauditas e pela vida pessoal de “Carlos”.

Excelente interpretação de Édgar Ramírez no papel principal. Excelentes planos e fotografia. Excelente banda sonora.

Se conseguirem esquecer por momentos que foi uma mini-série transformada num filme (com os cortes a que isso obriga). A tendência do Assayas para homens nus a saírem de chuveiros. Que é estranho em pleno Dezembro em Vienna as arvores terem toda a sua copa bem verde e que o verdadeiro “Carlos” e os seus advogados contestaram o filme (ou a mini-série) por ficcionar bastantes factos, sentem-se numa cadeira de cinema e apreciem um bom filme. Eu, vou tentar encontrar algures a mini-série. Percebam porquê.

 

Classificação: 4 Estrelas Zuropa

publicado por Ricardo às 11:43 | link do post
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