So how can anybody say, They know how I feel

 

 

Na saída da sala de cinema estava um placard com vários artigos de revistas relativamente aos filmes que agora surgem por cá e são candidatos a Oscar. Acerca deste "Amour" estava um artigo cujo headline dizia algo muito semelhante a "Se está preparado para a vida...está preparado para este filme".

 

Não sei se por ter vivido ainda há não muito tempo uma situação com algumas semelhanças ou se é pela crueza e brutalidade do filme, mas este "Amour" é um filme que não desejo voltar a ver... E isto nada tem a ver com a qualidade do mesmo... tem pelo simples facto que a emoção que nos transmite da primeira vez que o vemos é simplesmente irrepetível... e isso merece ser preservado.

 

"Amour" é a prova que é necessário bastantes poucos recursos para realizar um excelente filme, "bastando" a qualidade dos recursos humanos. Temos um filme todo passado no mesmo espaço (com a excepção da cena inicial) e não mais de 15 actores (sendo que grande parte deles não devem ter mais que 5 minutos de filme...inclusive a "nossa" Rita Blanco...e interpretar uma porteira portuguesa num prédio parisiense...que limpa o chão de Paez...). Acaba também por aí por ser uma pequena metáfora do que é realmente importante num qualquer empreendimento.

 

A história do filme é bastante simples. Um casal de idosos vive uma vida normal de reformados no seu apartamento em Paris, até que a mulher tem um problema de saúde que lhe paralisa parte do corpo e a atira para uma vida de total dependência dos cuidados que lhe são prestados pelo seu marido...até ao fim dos seus dias.

 

Tudo o que possamos assistir (ou quase) numa situação destas na vida real está espelhado neste filme muito bem realizado por Michael Haneke (realizador do premiado "Laço Branco") e interpretado superiormente por Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva (séria candidata ao Oscar como melhor atriz).

 

Não me recordo de ter abandonado uma sala de cinema sob um silêncio tão ensurdecedor como no final deste filme...e isso diz tudo acerca da força da mensagem que transmite.

publicado por Ricardo às 00:41 | link do post
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Sou "fan" confesso da saga do 007, e sou daqueles que não consegue facilmente escolher o melhor "Bond Movie" de sempre. O resto até é fácil: Sean Connery (Bond), Ursula Andress (Bond Girl), Christopher Lee (o melhor vilão - Scaramanga em The Man With The Golden Gun) e Judi Dench (a melhor M). Mas escolher um melhor filme é de todo impossível. Há os mais clássicos (os de Connery e o de Lazenby) e aqueles mais próximos de um "normal" filme de acção: os de Daniel Craig.

 

É por aí que quero começar. O James Bond modernizou-se. Ganhou músculo, bebe Heineken e até a Bond Girl já dura algo como uma meia hora. Se em vez de James Bond fosse um Jason Bourne ou uma qualquer personagem do Jason Statham (ok...o Transporter...ou o do Bank Job) podia ser a mesma coisa.

 

No entanto, este 3º filme de Daniel Craig é o melhor de todos. Há um regresso ao "velho Bond" em pequenos pormenores, regressou a piada de ocasião e o próprio vilão (Javier Bardem) está muito bem conseguido. Há um regresso ao sudoeste asiático (a nossa Macau) e paisagens deslumbrantes na Escócia (Glen Etive - que tive o prazer de conhecer). E todo esse crédito deve ir para o realizador Sam Mendes, que mais uma vez nos deu um belo filme dirigido por si.

 

Para quem é fan da série é um bom regresso. E bastante merecido

 

(Só um pormenor... Ninguém corre como o Daniel Craig... Só o Forrest Gump...)

 

publicado por Ricardo às 21:30 | link do post
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Depois de Londres, Barcelona e Paris, a nova aventura europeia de Woody Allen chega a Roma.

 

E com Roma chega todo o glamour (algum meio decadente) da capital italiana. Os edifícios em tons de amarelo/terra, as ruínas do Império, a luz do sol (como Lisboa), as pequenas ruas floridas de Trastevere e as habituais Piazzas e Fontanas. Woody Allen vende bem Roma, mas disso já nós vimos bastante...

 

No que toca ao filme propriamente dito, é um lugar comum dizer que gostei. Não é possível não gostar do Woody Allen, mas este "To Rome With Love" parece uma espécie de "mashup" dos temas dos anteriores. 

 

Querem ver?

 

Aparece por lá a crítica à alta sociedade (Match Point e Scoop), as amigas que se atraiçoam (Vicky Cristina Barcelona), a rapariga apaixonante e desequilibrada (de novo Vicky Cristina Barcelona), a crítica aos pretensiosos (Midnight In Paris), a traição entre casais (Match Point), os diálogos recheados de referências culturais (Midnight in Paris) e até uma espécie de narrador / voz da consciência que tanto aparece como desaparece (Scoop). Não vejo isto como um atestado de menoridade à qualidade do filme, mas não pude deixar de me recordar destes pequenos pormenores à medida que o filme ia desenvolvendo. Acreditem que essa nem é a pior parte, ficando para alguns fracos figurantes italianos (com aqueles erros típicos como olhar para quem está a filmar) ou para a produção / realização que quis ser preguiçosa e repete figurantes nas mesmas cenas (a efectuarem trajectos diferentes por exemplo). E finalmente a personagem de Alec Baldwin... é importante mas poderia ser qualquer actor, que não se notaria grande diferença.

 

E coisas boas?

 

Bem, a interpretação de Woody Allen está ao nível de sempre, com aquelas pequenas linhas inteligentes e cheias de humor negro e crítica. Roberto Benigni como Leopoldo está espectacular e talvez seja a personagem mais interessante do filme (apesar de cedo se perceber o alcance da crítica social que Woody Allen pretende), desconhecia Fabio Armiliato e a sua personagem (e a ideia da mesma) está fabulosa (como Giancarlo), Ellen Page e Jesse Eisenberg (sobretudo a primeira) estão cada vez mais maturos como actores e depois Penelope Cruz... em grande forma.

 

É um filme que diverte, mas não atinge o nível da grande obra do segmento europeu de Allen, filmado em "Matchpoint"e em termos de brilhantismo dos diálogos culturais está a anos luz do "Midnight in Paris". Mas descansem... Também não é nenhum "Cassandra's Dream"...

publicado por Ricardo às 00:40 | link do post
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Tive uma desilusão com este filme... perceber apenas após o fim do mesmo que não estava prevista uma sequela (pelo menos para já...).

Nunca fui um grande fan do "pacote" de super-herois made in USA. Vi os antigos Superman, um ou dois do X-Men e os dois do Iron Man (mais por oportunidade de ver o Robert Downey Jr...) e Spider-man nem vi sequer um minuto que seja... No entanto, os Barman... apenas perdi o piorzinho deles todos... o que tem o George Clooney como protagonista.

 

A chegada do Christopher Nolan à realização desta última trilogia trouxe uma lufada de ar fresco (e negro) ao super-herói (que na realidade tem o seu quê de vil…) e reabilitou o homem morcego. Se à partida o nome Christian Bale não seria o primeiro que nos iríamos lembrar para entrar num fato de látex e combater o crime em Gotham, a verdade é que o papel lhe assentou e prova que por vezes o trabalho de um bom realizador consegue superar tudo. Sim, porque convenhamos… Christian Bale como Bruce Wayne? Qualquer dia colocam um qualquer irlandês a fazer de Hauser…

 

Passando à frente, e assumindo que o Christian Bale é um excelente actor (porque é), que dizer do restante elenco? Gary Oldman, Morgan Freeman e Michael Caine dispensam comentários. Dos melhores da “velha-guarda” e já habituais nos Batman de Nolan. Mas depois vem a nova vaga e aí temos Anne Hathaway como uma “polida” Catwoman distante da imagem de Michele Pfeiffer mas ainda mais distante das imagens de coisas como “Os Diários da Princesa”, a dupla de “Inception” Tom Hardy (o brilhante vilão “Bane”) e Joseph Gordon-Levitt e claro… Marion Cotillard (suspiros…). E quase me esquecia… o Liam Neeson volta dos mortos  e faz uma nova aparição como Ra's Al Ghul.

 

Quanto à história o habitual neste género: há o grupo dos heróis, o grupo dos vilões, um plano para destruir Gotham, explosões, um arsenal hi-tech e um mordomo Inglês.

 

E no fim fica a sensação que tem de haver mais qualquer coisa lá para a frente…

 

publicado por Ricardo às 14:23 | link do post
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O ultimo sábado era mesmo daqueles dias em que necessitava de um analgésico cultural de forma a compor a minha forma de ver o mundo, isto é, acreditar que ainda existem coisas boas por aí (isto porque ainda não começou a época do Benfica… ).

 

Tinha boas referências do novo filme de Wes Anderson e assim fui. 

 

Cinema com ele e uma visualização de pouco mais hora e meia de simplicidade e magia filmada em tons retro.

 

O novo “Moonrise Kingdom” não é apenas um daqueles filmes que tem capacidade de juntar alguns dos nossos actores favoritos (Bruce Willis, Edward Norton, Bill Murray, Frances McDormand, Tilda Swinton e… Harvey Keitel), é sobretudo um filme que conta uma história tão simples e tão bonita que distrai durante todos os minutos e nos enche de melodia (por falar nisso… uma banda sonora de eleição para os mais clássicos).

 

Para juntar a tudo isso… a interpretação excelente das personagens principais: as crianças. 

 

Claro que nestas idades muitos são os que parecem promissores e depois desaparecem… (a correr bem só me lembro do Christian Bale e mesmo assim…), mas ou muito me engano ou a Kara Hayward irá ser um nome a reter no futuro. Jared Gilman também muito bem, mas a personagem “Suzy” encheu-me as medidas.


Ah… a história… pois… duas crianças apaixonadas que decidem fugir juntos numa ilha imaginária. Simples não é?

publicado por Ricardo às 13:49 | link do post
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Tinha excelentes referências desde filme francês. Foi o segundo filme mais visto de sempre em França (apenas suplantado pelo hilariante "Bem vindos ao Norte" do Dany Boon) e tinha no seu elenco o François Cluzet (não me recordo de ter visto um desempenho do François Cluzet que não tenha gostado e este suplanta todos os anteriores).

 

Este "Intouchables" (em Portugal com o título "Amigos Improváveis") baseia-se na história verídica da amizade entre um tetraplégico (Cluzet) e um senegalês (Omar Sy) dos desafortunados subúrbios parisienses que sem saber bem como é contratado para cuidar do milionário que se encontra paralisado do pescoço para baixo.

 

A dificuldade de inserção do africano do meio pobre na alta sociedade, a lidar dia-a-dia com os problemas físicos e psicológicos do milionário e a relação de ambos com as suas famílias preenchem as quase duas horas de filme. Sempre realizado com a qualidade que os filmes franceses de nova geração nos habituaram.

 

Pecando talvez pela ausência de mais momentos dramáticos (mas provavelmente essa nem era a intenção do realizador) o filme acaba por ser muito mais uma comédia com os tais salpicos que tentam ir mais fundo que um drama.

 

Se pretendem um filme que vos mostra o lado positivo da vida e que vos arranca boas gargalhadas aqui está uma boa aposta... e mais uma vez a interpretação de Cluzet... Excelente.

 

publicado por Ricardo às 10:39 | link do post
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Brandon  (Michael Fassbender) é um viciado em sexo. De todo o tipo. Frequenta prostitutas. Frequenta sites pornográficos. Tem uma monstruosa colecção de revistas pornográficas e nem o disco rígido do seu computador de trabalho escapa às suas perversões.

 

O filme conta um excerto da vida de Brandon. A sua relação com o trabalho e os colegas do mesmo. A sua forte relação com a irmã Sissy (Carey Mulligan a jovem que vimos brilhar em “An Education”) . A sua forte relação com a doença que o aflige. A tentativa de a ultrapassar. Os avanços e os recuos. No fundo “Shame” é uma viagem ao cérebro de um homem perturbado que vive sozinho num apartamento em Nova Iorque.

 

“Shame” é porventura uma das mais brilhantes interpretações que vi de um actor nos últimos tempos. Fassbender está brilhante. E a forma como Steve McQueen realiza o filme é também brutal .

 

Qual o problema de “Shame” ? Tem cenas excessivamente provocadoras para as quais as mentes mais sensíveis podem não estar preparadas. Não é aquele tipo de filme que se queira levar a nova namorada para impressionar ou os pais (curiosamente à hora que o vi, o cinema tinha muitos casais de cabelo branco… o que me deixa um pouco preocupado acerca da nossa realidade social).

 

Penso que não havia necessidade (sim nesse exacto tom) de alguns momentos em que o filme dispara para uma quase pornografia… no entanto, e se já estiverem prevenidos para tal, é um filme que vale a pena ver.

 

São 2 desempenhos brilhantes e um realizador com um enorme talento. E isso vale o bilhete… mesmo que por vezes nos interroguemos  se seria necessário ir tão longe…

publicado por Ricardo às 10:27 | link do post
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Tinha boas referências acerca deste filme e a bem da verdade não saíram completamente frustradas. É interessante conseguir através de um tema tão delicado como o Cancro conseguir realizar um drama / comédia negra com positivismo. Além disso as interpretações são boas. Joseph Gordon-Levitt (Inception) é a personagem principal e  o impagável Seth Rogen o seu melhor amigo (Zack and Miri Make a Porno) com porventura a mais bem conseguida interpretação. Depois em segundo plano a menina do "Up in the Air" (Anna Kendrick) e a veterana Angelica Huston.

O elenco é simpático e o argumento é bem conseguido. Onde falha? Na facilidade com que se adivinham os próximos passos de toda a história e aí perde um pouco.

São também deliciosas as referências que as duas principais personagens trocam de personalidades musicais ou do cinema. Dá sempre aquele "toque" da piada mais inteligente que por vezes estes filmes perdem.

Um filme engraçado para uma temática dificil. Talvez essa seja realmente a sua mais valia.

publicado por Ricardo às 12:11 | link do post
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Declaração de intenções: Eu (como muitos) considero o Gary Oldman como o melhor actor de sempre a nunca receber um Oscar.

Conheço o livro do Le Carré há vários anos. Lembro-me de o ter na mão lá em casa quando era pequeno. E lembro-me sempre de um grande amigo falar-me sempre do Smiley.
A curiosidade já estava desperta e depois de ver o elenco deste filme (John Hurt, Mark Strong, Gary Oldman, Ciarán Hinds, Colin Firth…) era quase impossível sair desiludido. E assim foi. É óbvio que o Smiley não é um “James Bond”. E o filme não tem perseguições automóveis a alta velocidade, cenas brutais de tiroteio nem esperem mulheres de leste extremamente sedutoras (bem…ok… há pouco disto…) . Esperem um filme electrizante pela intriga. É incrível como nos prende à cadeira. Como nos obriga a procurar todo e qualquer pormenor para tentar desvendar o mistério.

Um enredo simples. Um agente duplo está infiltrado nos serviços secretos britânicos em plena Guerra Fria. Smiley, um agente de topo que está reformado, aparece como a solução para descobrir quem é a “toupeira”. Está afastado do Sistema mas conhece-o como ninguém.

E é aqui que temos Gary Oldman. Perfeito no papel. Um Smiley que não deve (espero) desiludir os fans de Le Carré. Calculista. Frio. Humano. Uma interpretação que será criminoso não ser nomeada para Oscar. Pode não ser desta vez que o Gary Oldman o vence, mas tem tudo para o fazer…

Classificação Zuropa: 5 Estrelas

publicado por Ricardo às 13:46 | link do post
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Não me recordo de um filme dirigido pelo Polanski que não goste. Também é verdade que ainda não vi uma obra do mesmo realizador que suplantasse “O Pianista”, no entanto, o selo de qualidade existe (mesmo tendo finais como “A Nona Porta” ou uma história já requentada como o “Oliver Twist”).

 

Este “O Deus da Carnificina” transmitiu-me uma mais valia: a capacidade de conseguir imaginar todo aquele filme num palco em Portugal e com actores já escolhidos (sim, o Miguel Guilherme seria o meu Alan Cowan), ou seja, o filme é tão simples, tão “vulgar” (no bom sentido) que qualquer um é capaz de perceber a mensagem (pelo menos assim espero). O “O Deus da Carnificina” é um filme que volta ao básico. Esqueçam os efeitos especiais, esqueçam o 3D, esqueçam teorias de conspiração e apocalipses. Esqueçam tudo isso. E tamos 2 casais. Normais. Com filhos. Os filhos “pegaram-se” num arrufo de parque infantil. Os pais tentam resolver a questão amigavelmente. Entre eles claro. E o que temos são menos de 90 minutos de uma discussão em tempo real. Parece simples. É simples. Mas este filme estaria condenado se os actores não estivessem tão brilhantes.

 

Christoph Waltz está perto do nível de “Inglourious Basterds”, Kate Winslet e a Jodie Foster estão muito bem e a grande surpresa (pelo menos para mim que estou acostumado ao actor noutro registo) foi John C. Reilly. Sentem-se bem na cadeira e acompanhem tudo durante menos de hora e meia de filme. Viagem por todas as reacções das personagem e analisem-se. E vejam o final. Previsível e cristalino.

 

Bom filme.

 

Classificação: 4 Estrelas Zuropa

publicado por Ricardo às 13:29 | link do post
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